Monday, November 26, 2007

recomeço

primeiro é uma força,
chamar fundo do sangue aos lábios
depois é o que se molda com as mãos, os dedos
e o mundo que estremece ao vibrar desta voz
e com a sombra viva em nós

e o fogo do peito e o que se abre aos olhos largo e longe
e o ar que se acende e vibra grosso
com a força dos olhos que o dobra e rasga um caminho
com os dedos que sulcam no silêncio outro silêncio

depois é deitar a cabeça na terra e ouvir
e o ar e a palavra jorram dos lábios e entranham-se
no silêncio que sobe do fundo e de dentro
e rasga do chão
e os dedos enterram-se na água acesa que corre
e cresce cresce em mim
a seiva viva que é agora voz

então primeiro é um fogo que se acende com o sopro dos lábios
os olhos que se cruzam e se prendem
e chamam
a água que escorre pelas costas
depois é o sangue assim aceso
feito vida feito ar cá fora com os dedos
e como podemos morrer
se a terra é toda viva
e a luz agora é tanta?
e como calar esta voz que te chama para mim?

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