The man hanging out of the wrecked car was still alive as I passed, and I stopped, grown more used to the idea now of how really badly broken he was, and made sure there was nothing I could do. He was snoring loudly and rudely. His blood bubbled out of his mouth with every breath. He wouldn't be taking many more. I knew that, but he didn't, and therefore I looked down into the great pity of a person's life on this earth. I don't mean that we all end up dead, that's not the great pity. I mean that he couldn't tell me what he was dreaming, and I couldn't tell him what was real.
Denis Johnson
Jesus' Son
Saturday, January 2, 2010
Saturday, October 17, 2009
McCarthy, again
When he went back to the fire he knelt and smoothed her hair as she slept and he said if he were God he would have made the world just so and no different.
— Cormac McCarthy (The Road)
— Cormac McCarthy (The Road)
Friday, June 26, 2009
7:48 hammersmith and city line wesbound
à espera do outro lado do muro
da vez de falar
da vez de entrar
depois de bater
de contar uma piada
(e ser engraçado)
à espera do outro lado do muro
a ranger os dentes
a morder o grito e a espuma da fúria
a abanar o corpo dorido
e cansado
tão cansado
tão
à espera
a viver no futuro
a fazer contas ao dinheiro
e ao tempo
a viver as horas como um horário de trabalho
a fazer amor como quem faz tarefas
à espera do metro
à espera de encontrar sei lá o quê num olhar cruzado
terno e demorado
num sorriso
fervente numa religião febril de razão
e uma subtil e inexprimível certeza
que se torna loucura
suburbana
fúria fantasia
idiossincrasia
afastamento
à espera a empurrar fantasmas e montanhas
a bater nas paredes até rachar as pedras e os nós dos dedos
a gritar no escuro
até perder a voz
e o fôlego
e a força nas pernas
e o excesso de sono que os faz
esperar
pela sexta-feira
pela hora de sair
a próxima bebida
que pare de chover que o telefone toque
o que ela disse e eu disse e depois eu disse
e o calor de uma proximidade viva
a próxima piada
a loucura partilhada
não
não.
à espera não
lembro-me de ter seis anos e já saber e me ver de frente a olhar e não à espera mas a olhar em [frente
de haver por trás um campo largo com um carreiro aberto na erva
(tudo respirava vivo até o vento e o céu e a terra num redondo baixavam e subiam
lentos
como o flanco de um cavalo )
de olhar em frente com um anjo mudo ao meu lado
não à espera
e de saber já quem era
inspirado por “Oh, the places you’ll go!”, de Dr. Seuss
da vez de falar
da vez de entrar
depois de bater
de contar uma piada
(e ser engraçado)
à espera do outro lado do muro
a ranger os dentes
a morder o grito e a espuma da fúria
a abanar o corpo dorido
e cansado
tão cansado
tão
à espera
a viver no futuro
a fazer contas ao dinheiro
e ao tempo
a viver as horas como um horário de trabalho
a fazer amor como quem faz tarefas
à espera do metro
à espera de encontrar sei lá o quê num olhar cruzado
terno e demorado
num sorriso
fervente numa religião febril de razão
e uma subtil e inexprimível certeza
que se torna loucura
suburbana
fúria fantasia
idiossincrasia
afastamento
à espera a empurrar fantasmas e montanhas
a bater nas paredes até rachar as pedras e os nós dos dedos
a gritar no escuro
até perder a voz
e o fôlego
e a força nas pernas
e o excesso de sono que os faz
esperar
pela sexta-feira
pela hora de sair
a próxima bebida
que pare de chover que o telefone toque
o que ela disse e eu disse e depois eu disse
e o calor de uma proximidade viva
a próxima piada
a loucura partilhada
não
não.
à espera não
lembro-me de ter seis anos e já saber e me ver de frente a olhar e não à espera mas a olhar em [frente
de haver por trás um campo largo com um carreiro aberto na erva
(tudo respirava vivo até o vento e o céu e a terra num redondo baixavam e subiam
lentos
como o flanco de um cavalo )
de olhar em frente com um anjo mudo ao meu lado
não à espera
e de saber já quem era
inspirado por “Oh, the places you’ll go!”, de Dr. Seuss
Thursday, July 31, 2008
urgência sem voz
febre muda na procura de um alívio que não vem.
um orgasmo. expiar. gritar e fazer a terra tremer
bater até rasgar as mãos
em sangue e bater até sangrar
mas não o fazer.
um alívio que não vem
uma urgência circular. muda
uma dor à procura de uma garganta para um grito
loucura geométrica. demográfica.
paralisia. fome cega. gesto contido
religião de fantasias onanistas à qual pagamos mensalidades para sonhar
o escape no veneno de um orgasmo
e o sémen agora no monitor gelado
e tremeluzente
vírus
e sono e sono e sono
o que pulsa sob o sangue e todos os nomes?
que resposta sob os séculos. a loucura ácida. o logos?
que saída para a náusea de labirinto? (se há)
sob os símbolos e deuses e o inconsciente que é outro símbolo
sangue e a pressão das palavras empilhadas como cimento
e presas na garganta
que dizer agora no início de tudo
no perpétuo início em que os símbolos apodrecem
(as estações. homem. mulher. os deuses todos. mundo. história.)
e rodamos rodamos
que dizer. que palavras e gestos furam a paralisia e o peso de pedra na garganta
que dizer
que palavra é o fim
não é a adversidade, a essência do real, que cala.
é um suspiro
com o peso do nada
a náusea rotina e o vazio da vida como um horário de trabalho
não é a adversidade
mas a ausência. não a política. não um amor sexo arte família
mas um suspiro, como palavra final
É ter lá ido
(o sangue nas mãos. as unhas gretadas) e lá ser no fundo mais um novo início
efémero escrito a cicatrizes e nomes dos que tocamos
e nos tocaram
e com quem escrevemos a história das horas.
a inquietação no sangue viva
e viva
e permanente
febre muda na procura de um alívio que não vem.
um orgasmo. expiar. gritar e fazer a terra tremer
bater até rasgar as mãos
em sangue e bater até sangrar
mas não o fazer.
um alívio que não vem
uma urgência circular. muda
uma dor à procura de uma garganta para um grito
loucura geométrica. demográfica.
paralisia. fome cega. gesto contido
religião de fantasias onanistas à qual pagamos mensalidades para sonhar
o escape no veneno de um orgasmo
e o sémen agora no monitor gelado
e tremeluzente
vírus
e sono e sono e sono
o que pulsa sob o sangue e todos os nomes?
que resposta sob os séculos. a loucura ácida. o logos?
que saída para a náusea de labirinto? (se há)
sob os símbolos e deuses e o inconsciente que é outro símbolo
sangue e a pressão das palavras empilhadas como cimento
e presas na garganta
que dizer agora no início de tudo
no perpétuo início em que os símbolos apodrecem
(as estações. homem. mulher. os deuses todos. mundo. história.)
e rodamos rodamos
que dizer. que palavras e gestos furam a paralisia e o peso de pedra na garganta
que dizer
que palavra é o fim
não é a adversidade, a essência do real, que cala.
é um suspiro
com o peso do nada
a náusea rotina e o vazio da vida como um horário de trabalho
não é a adversidade
mas a ausência. não a política. não um amor sexo arte família
mas um suspiro, como palavra final
É ter lá ido
(o sangue nas mãos. as unhas gretadas) e lá ser no fundo mais um novo início
efémero escrito a cicatrizes e nomes dos que tocamos
e nos tocaram
e com quem escrevemos a história das horas.
a inquietação no sangue viva
e viva
e permanente
modus scribendi
da altura recta do pinheiro cresce a secura aberta de uma pinha que guarda na sombra dos veios abertos
pinhões
como um segredo
pinhões
como um segredo
Sunday, March 9, 2008
Da suprema indiferença cega do mundo que é a sua beleza
He stood hat in hand over the unmarked earth. This woman who had worked for his family fifty years. She had cared for his mother as a baby and she had worked for his family long before his mother was born and she had known and cared for the wild Grady boys who were his mother’s uncles and who had all died so long ago and he stood holding his hat and he called her his abuela and he said goodbye to her in Spanish and then turned and put on his hat and turned his wet face to the wind and for a moment he held out his hands as if to steady himself or as if to bless the ground there or perhaps as if to slow the world that was rushing away and seemed to care nothing for the old or the young or rich or poor or dark or pale or he or she. Nothing for their struggles, nothing for their names. Nothing for the living or the dead.
Cormac McCarthy, All the Pretty Horses
Cormac McCarthy, All the Pretty Horses
Saturday, January 19, 2008
da voz e do mal
Standing at the edge of a winter field among rough men. The boy’s age. A little older. Watching while they opened up the rocky hillside with pick and mattock and brought to light a great bolus of serpents perhaps a hundred in number. Collected there for a common warmth. The dull tubes of them beginning to move sluggishly in the cold hard light. Like the bowels of some great beast exposed to the day. The men poured gasoline on them and burned them alive, having no remedy for evil but only for the image of it as they conceived it to be. The burning snakes twisted horribly and some crawled burning across the floor of the grotto to illuminate its darker recesses. As they were mute there were no screams of pain and the men watched them writhe and blacken in just such silence themselves and they disbanded in silence in the winter dusk each to his own thoughts to go home to their suppers.
Cormac McCarthy, The Road
Cormac McCarthy, The Road
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