fontes
para m.
neste caminho
nesta hora aberta em que se respira fundo, finalmente,
o espaço e a luz do dia.
onde tudo parece finalmente respirar
há no ar e nas coisas um início como se um peso um manto se levantasse
e eu visse de novo algo que não me lembrava de ter perdido,
algo que não tem palavra certa,
aquela calma forte a que à falta de termo mais fluido chamamos de felicidade
que respira e morre e corre de novo por entre os afluentes das horas
e que é a raiz da raiz de ser
e são as fontes a água que corre.
vieste num dia como hoje e trazias água nas conchas da mão
vieste assim recta com o cabelo solto. assim descalça com os olhos acesos de verde
nas mãos só a água
e em ti uma promessa de início.
abriste portas pelos dias os meses
abriste gavetas
e soltou-se o cheiro de terra molhada
o trovão assim na redondez dos ombros
na pele e no sangue
nas lágrimas e calor das horas nas mãos que vi que toquei frias
e nos sorrisos que abriste
nas linhas das mãos nas unhas rachadas
nas rugas que se abriram no canto dos olhos
na voz no corpo que fui conhecendo e abriste-me a porta,
na tua voz e o tempo
a água o rio
que bebo em ti
e hoje que o dia se abre
relembro na promessa de início o que não lembrava ter perdido
esse respirar amplo e suave
o correr simples da água e das palavras
(na taça das mãos trazes a água que brilha
o nosso fôlego quente nos lábios um do outro)
como se degelasse algures um peso
como se fechasse os olhos e visse por entre o sal das horas e das lágrimas
o outro lado o início a faúlha pequena de um dia de uma hora simples de alegria.
como o respirar, amor
que sobe e desce
como nós. que vimos e estamos e vamos. como tudo que vive e morre
e tu que vens com água no concavo das mãos
neste caminho
nesta hora aberta em que se respira fundo, finalmente,
o espaço e a luz do dia.
onde tudo parece finalmente respirar
há no ar e nas coisas um início como se um peso um manto se levantasse
e eu visse de novo algo que não me lembrava de ter perdido,
algo que não tem palavra certa,
aquela calma forte a que à falta de termo mais fluido chamamos de felicidade
que respira e morre e corre de novo por entre os afluentes das horas
e que é a raiz da raiz de ser
e são as fontes a água que corre.
vieste num dia como hoje e trazias água nas conchas da mão
vieste assim recta com o cabelo solto. assim descalça com os olhos acesos de verde
nas mãos só a água
e em ti uma promessa de início.
abriste portas pelos dias os meses
abriste gavetas
e soltou-se o cheiro de terra molhada
o trovão assim na redondez dos ombros
na pele e no sangue
nas lágrimas e calor das horas nas mãos que vi que toquei frias
e nos sorrisos que abriste
nas linhas das mãos nas unhas rachadas
nas rugas que se abriram no canto dos olhos
na voz no corpo que fui conhecendo e abriste-me a porta,
na tua voz e o tempo
a água o rio
que bebo em ti
e hoje que o dia se abre
relembro na promessa de início o que não lembrava ter perdido
esse respirar amplo e suave
o correr simples da água e das palavras
(na taça das mãos trazes a água que brilha
o nosso fôlego quente nos lábios um do outro)
como se degelasse algures um peso
como se fechasse os olhos e visse por entre o sal das horas e das lágrimas
o outro lado o início a faúlha pequena de um dia de uma hora simples de alegria.
como o respirar, amor
que sobe e desce
como nós. que vimos e estamos e vamos. como tudo que vive e morre
e tu que vens com água no concavo das mãos
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