verão

este sol de verão embebeda-nos.


chama-nos ao dia aberto

e o sangue à sua órbita.


com os lábios e os ombros ainda salgados,

paramos na marginal cheia,

à sombra de um toldo,

para lavares os pés.


mas esta luz.


da sombra,

estico os braços,

junto os dedos em concha

e o sol arde-me nas mãos acesas


como uma vela votiva

que ofereço ao dia

que nos devora e dá-se inteiro


connosco lá dentro.

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